quinta-feira, 25 de julho de 2024

ARTIGO PARA A SENIUM: AS MINORIAS RELEVANTES (PARTE 01)


                                 

Silenciosamente, "minorias", assim identificadas pela sociedade, surgem de modo organizado, ocupando discretamente, um fragmento do espaço social.

Sem grandes ruídos, vão costruindo seu território particular, marcando fronteiras e criando alguns símbolos que assinalam, sobretudo, a "diferença", como um dado essencial da sua presença, no mundo da "maioria". 

De repente, nos damos conta de que há "maiorias e minorias" no mundo, como se já não bastassem os conflitos ideológicos, que campeiam e dividem o universo humano, em classes sociais.

Será que podemos tratar essas "maiorias" e "minorias"como uma coletividade ideologicamente organizada? 

Penso que qualquer agrupamento humano, parte de idéias comuns, afinidades de preconceitos e conceitos, que se organizam em torno de uma ideologia política, religiosa ou de diversos outros princípios, que mantenham uma unidade básica.

Numa sociedade, a dita "maioria" é uma construção de tradições acumuladas, uma engenharia social que se impõe, oriunda de gerações antecedentes, que organiza padrões comportamentais, moral e éticamente aceitos, como o modelo ideal.  A moral, do latim "mores", é o conjunto de regras do que é o "certo" e o "errado", assegurando a boa convivência.  A ética, do grego "êthos", prevê o "bem" e o "mal". 

A "moral" é uma conduta normativa; valores éticos são princípios universais, resultantes de reflexões sobre as ações e normas de conduta. 

As "minorias" se definem por diferenças, em relação aos padrões organizados que edificam o comportamento da "maioria", criando modelos alternativos, que pressupõem a liberdade pessoal de escolha, indiferentes à moral normativa do grupo social, e independentes do comportamento padronizado da maioria.

Por que tais minorias seriam relevantes?

Elas apontam para o esgotamento e fragilidades do Sistema dominante, ao relativizar o "contrato social", rebelando-se e organizando-se em torno de valores da contracultura, divergentes aos da "maioria".

Surgido nos anos de 1960, o movimento Hippie opunha-se a guerra do Vietnã e a ordem bipolar da guerra fria. Insurgia-se contra o modelo capitalista da organização da sociedade, apontando para a nova ordem da contracultura, abalando os alicerces da cultura ocidental.

Essa "minoria" Hippie, manifestava seu caráter  de rebeldia à hierarquia, à  obediência, ao autoritarismo, ao capitalismo, ao comunismo, e criticava  à imposição dos valores estéticos de beleza, o modelo de educação, o matrimônio, o modelo de família, confrontando as instituições e os padrões comportamentais vigentes, que já não respondiam mais às grandes questões, e alimentavam a miséria, os preconceitos, a violência, as guerras, adoecendo a sociedade com novas patologias mentais e emocionais.

Esse movimento, nascido do descontentamento de uma minoria de jovens escritores, músicos e artistas, ao expandir-se por vários países, acaba por impor um novo curso à História do Ocidente, assinalando o fim de um conjunto de convenções sociais e institucionais. A relevância de uma minoria...

25 de julho de 2024

prof. mario moura








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