Sem grandes ruídos, vão costruindo seu território particular, marcando fronteiras e criando alguns símbolos que assinalam, sobretudo, a "diferença", como um dado essencial da sua presença, no mundo da "maioria".
De repente, nos damos conta de que há "maiorias e minorias" no mundo, como se já não bastassem os conflitos ideológicos, que campeiam e dividem o universo humano, em classes sociais.
Será que podemos tratar essas "maiorias" e "minorias"como uma coletividade ideologicamente organizada?
Penso que qualquer agrupamento humano, parte de idéias comuns, afinidades de preconceitos e conceitos, que se organizam em torno de uma ideologia política, religiosa ou de diversos outros princípios, que mantenham uma unidade básica.
Numa sociedade, a dita "maioria" é uma construção de tradições acumuladas, uma engenharia social que se impõe, oriunda de gerações antecedentes, que organiza padrões comportamentais, moral e éticamente aceitos, como o modelo ideal. A moral, do latim "mores", é o conjunto de regras do que é o "certo" e o "errado", assegurando a boa convivência. A ética, do grego "êthos", prevê o "bem" e o "mal".
A "moral" é uma conduta normativa; valores éticos são princípios universais, resultantes de reflexões sobre as ações e normas de conduta.
As "minorias" se definem por diferenças, em relação aos padrões organizados que edificam o comportamento da "maioria", criando modelos alternativos, que pressupõem a liberdade pessoal de escolha, indiferentes à moral normativa do grupo social, e independentes do comportamento padronizado da maioria.
Por que tais minorias seriam relevantes?
Elas apontam para o esgotamento e fragilidades do Sistema dominante, ao relativizar o "contrato social", rebelando-se e organizando-se em torno de valores da contracultura, divergentes aos da "maioria".
Surgido nos anos de 1960, o movimento Hippie opunha-se a guerra do Vietnã e a ordem bipolar da guerra fria. Insurgia-se contra o modelo capitalista da organização da sociedade, apontando para a nova ordem da contracultura, abalando os alicerces da cultura ocidental.
Essa "minoria" Hippie, manifestava seu caráter de rebeldia à hierarquia, à obediência, ao autoritarismo, ao capitalismo, ao comunismo, e criticava à imposição dos valores estéticos de beleza, o modelo de educação, o matrimônio, o modelo de família, confrontando as instituições e os padrões comportamentais vigentes, que já não respondiam mais às grandes questões, e alimentavam a miséria, os preconceitos, a violência, as guerras, adoecendo a sociedade com novas patologias mentais e emocionais.
Esse movimento, nascido do descontentamento de uma minoria de jovens escritores, músicos e artistas, ao expandir-se por vários países, acaba por impor um novo curso à História do Ocidente, assinalando o fim de um conjunto de convenções sociais e institucionais. A relevância de uma minoria...
25 de julho de 2024
prof. mario moura

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