É sempre indispensável, quando olhamos o presente, esticarmos os olhos para o passado, para os movimentos históricos que assinalaram mudanças profundas nos costumes e na cultura, visto que o presente tem suas raizes nesse tempo decorrido.
São irremediáveis as transformações no processo histórico das sociedades.
Não se trata mais, como nos recentes movimentos da contracultura, de criticar e confrontar os padrões tradicionais, mas de empenhar-se para ganhar visibilidade, recriando o espaço social, ao reduzir preconceitos, sempre potenciais e latentes, numa arena onde vicejam interesses de classes, de controle e de poder.
Há um grande "arquipélago", onde identificamos com facilidade, "ilhas" de racismos, de empoderamento do feminismo, das opções sexuais, de misoginia, e de tantas outras "ilhas" mais singulares, que ainda estão em estado latente. ainda iniciando o processo de sua organização ideológica.
A diversidade derrubando as muralhas do conservadorismo, ou das tradições, como as trombetas de Jericó.
Hoje a contracultura abandonou o seu lugar de rebeldia, e mostra uma face de irreverência, pois já possue um "status" intelectual, com seus ideólogos atuando em diversas arenas, com propostas bem consolidadas, e um público bem organizado, ciente de que o Sistema já não responde à um conjunto de expectativas que despontam no modelo social incipiente.
Essas "minorias" buscam a visibilidade legalizada, juridicamente reconhecida, almejando um espaço socialmente definido, em que não mais sejam vistas como "minorias", mas como um conjunto de pessoas com acesso ao reconhecimento público dos seus direitos à diversidade.
Um novo momento da História, em que as sociedades buscam a estabilidade em meio às grandes mudanças provocadas pelo surgimento de tecnologias e novas metas de sutentabilidade, melhoria na qualidade de vida e direitos humanos, já reconhecidos internacionalmente.
Essa nova condição resulta das transformações que movimentos contraculturais do recente passado, ao alterar as relações de controle e dominação dos padrões comportamentais, até então presentes na sociedade, criaram as oportunidades do surgimento e manifestação das "minorias invisiveis".
Também a força motriz das novas tecnologias, colabora para profundas mudanças no modelo econômico de produção e de relações de ocupação e empregos, gerando um novo olhar sobre as novas possibilidades que tais tecnologias agregam ao processo de transformação, provocando a dissolução conceitual do modelo dominante.
O que podemos observar hoje, nos costumes da cultura ocidental, é que as anteriores "minorias", integraram-se ao conjunto social e já não existem mais como grupos singulares, embora ainda encontrem preconceitos remanescentes, aos quais também reagem com alguns atos culturais, como as passeatas, em que hostilizam as tradições e as formalidades legais, "chocando a burguesia!" O antigo e renovado "épater la burgeoisie" (o grito de guerra dos poetas franceses decadentes do século XIX).
A sociedade avançou para um novo estágio, ao dissolver preconceitos de que se originaram as "minorias", assimilando-as e admitindo a existência de diferentes opções de escolha no modo de vida, mesmo que dissonantes das "regras e normas" que até então, eram uma imposição social de "boa convivência e de moralidade".
Diluiu-se o Sistema, ao ceder às mudanças, abdicando do poder de dominar e de controlar a sociedade, o que abre o estado de transição, em que valores e princípios ganham novas, relativas e instáveis ressignificações.
Claro que ainda há resistência, mas sem o poder de intervenção, ante o avanço internacional de um novo modelo de convivência humana, no qual se define o lugar da diversidade.
Fim de um ciclo, início de outro...
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