Observações sobre o cotidiano da longevidade humana, com abordagens das possibilidades de respostas às dificuldades existentes nessa realidade, e outros artigos de caráter universal. O mundo dos longevos, além do ilimitado preconceito imposto pelo idadismo, e pelas crenças limitantes de acontecimentos que limitam suas emoções e percepções. Narrativas da vida, do que chamam de melhor idade, nem tão estranhas como parecem, e outras divagações interessantes, que acontecem em vários lugares.
terça-feira, 5 de setembro de 2023
ENTRE DOIS MUNDOS
Vivemos um tempo de grandes e rápidas mudanças, mas nada assustador, que nos impeça, e quando digo nós, refiro-me aos -idosos, que hoje integramos um contigente expressivo da sociedade.
As tecnologias médicas desenvolveram recursos que permitiram a nós, idosos, a oportunidade de assistir às intensas transformações que ocorrem no mundo, no qual continuamos como espectadores, com a vantagem de poder avaliar essas mudanças, comparando-as com as crenças, valores e costumes de um tempo, do qual somos memórias vivas, que de uma forma ou de outra, sobrevivem e impregnam a raiz dos novos tempos.
Temos assim o poder de dimensionar tais transformações, que nos possibilitam intuir o futuro.
Como memórias de uma geração, carregamos a experiência do passado, no tempo presente.
Somos observadores privilegiados. Vivemos magicamente entre dois mundos, e integramos uma parcela significativa da sociedade, em seus diversos níveis, cultural, social e econômico.
Somos construtores dos tempos atuais, pioneiros que edificaram os pilares que sustentaram a unidade social, empreenderam pesquisas e construíram o espírito da nacionalidade, através dos grandes intelectuais.
Para tanto, bastar levantar estatísticas, e lá surgiremos como contribuintes expressivos, detentores dos saberes existenciais e de conhecimentos específicos, capazes de aportar soluções, e apontar caminhos nos intrincados labirintos do moderno mercado dos negócios.
Creio que podemos nos orgulhar de aqui estarmos, jogando no time dos idosos e marcando o nosso gol de placa.
05 de setembro de 2023
Prof. Mario Moura
ENVELHECIMENTO, FAMÍLIA E VÍNCULOS SOCIAIS

Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.” - Reinvenção (Cecília Meireles, 1972)
O Brasil passa por um processo de envelhecimento populacional nas últimas décadas, decorrente da transição demográfica e epidemiológica particularmente acelerada no país. Desde as últimas décadas do século XX, observa-se a redução da fecundidade e da mortalidade, acarretando grande transformação da estrutura etária. Em 2011, a população de idosos (60 anos e mais) no Brasil representava 11% da população total, passando para 14,8% em 2022, com projeção de 16,2% para 2025. Estima-se que, em 2030, o número de idosos ultrapassará o total de crianças entre 0 e 14 anos. (OPAS, 2022)
Se por um lado, temos um menor número de membros em cada geração como resultado da baixa taxa de natalidade, por outro, com o aumento da longevidade, observamos a existência de várias gerações da mesma família. Dessa maneira, aumentam o número de avós e o número de anos que uma pessoa vai viver como avô/avó. É habitual nos dias de hoje compartilhar a vida adulta dos netos, criando novas modalidades vinculares de solidariedade mútua, em que frequentemente estes se transformam em seus cuidadores e/ou exercem uma função mediadora quando existem conflitos com a geração do meio (FREITAS, 2022).
O contexto familiar representa, pois, um elemento fundamental para o bem-estar dos idosos, que encontram nesse ambiente apoio e intimidade para as diferentes situações com que se deparam, relações que asseguram um espaço de pertencimento com os familiares. A família contemporânea vem sofrendo transformações em relação ao surgimento de novos papéis e a longevidade tem proporcionado a convivência intergeracional, encontrando-se até quatro gerações em uma mesma residência. Esse panorama demonstra que a família, apesar das mudanças frente a diversas situações, continua sendo um local de extrema importância para nutrir afetos e proteção aos idosos (ARAÚJO, 2012).
Essa convivência intergeracional será facilitada se os aspectos positivos dos vínculos forem privilegiados: compreendendo a situação familiar e a falta de redes de apoio social; tentando sempre vencer os preconceitos mútuos; minorando a ideia de encargo, que pode ser substituída pela de patrimônio; aprimorando a noção de cuidado, incluindo a reciprocidade e a solidariedade. Por intermédio da possibilidade de amor pelo neto, o idoso redescobre esse sentimento em si. (FREITAS, 2022)
Assim, os vínculos que os idosos estabelecem no decorrer da vida são formados pelo grupo familiar, e por amizades na comunidade onde moram. Essas relações propiciam uma sensação de pertencimento e esse fator tem sido reconhecido como aspecto fundamental para um envelhecimento com qualidade de vida. Essas redes de apoio ajudam os idosos durante seu processo de envelhecimento, assegurando maior autonomia, independência, bem-estar e saúde (TRIADÓ & VILLAR, 2007).
Segundo Triadó e Villar (2007), as amizades constituem um importante apoio social e são fundamentais também pela faixa etária comum, indicando experiências de vida parecidas, recordações, opiniões e valores similares. Essas amizades são relações livres, voluntárias, baseadas na reciprocidade e no afeto, diferenciando, assim, das relações familiares, que são essenciais ao sujeito. Construir relações de amizade na velhice não é uma tarefa simples, devido à possível limitação do idoso ao convívio familiar e às perdas dos iguais. Quando transcendem a família, os relacionamentos se ampliam, enriquecendo e oportunizando formas diferentes de viver. (ARAUJO, 2012)
Em contrapartida, o apoio social inadequado está associado não apenas a um aumento de mortalidade, morbidade e problemas psicológicos, mas também a uma diminuição na saúde e bem-estar em geral. O rompimento de laços pessoais, solidão e interações conflituosas são as maiores fontes de estresse, enquanto relações sociais animadoras e próximas são fontes vitais de força emocional. (GIRONDA & LUBBEN, 2003)
Recentemente, o convívio social frágil foi relacionado como um dos fatores de risco “modificável” para demência, ao lado do consumo excessivo de álcool, traumatismo cranioencefálico (TCE), poluição do ar, baixa escolaridade, hipertensão arterial, deficiência auditiva, tabagismo, obesidade, depressão, sedentarismo e diabetes. (LIVINGSTON et al., 2020)
Dessa forma, a interação social, associada ao controle dos fatores de risco anteriormente descritos, pode contribuir para evitar ou retardar o aparecimento de alterações cognitivas, além de manter a mobilidade e autonomia dos idosos, estimulando a prática de atividade física regular; e fortalecer laços afetivos, proporcionando momentos felizes e prazerosos.
O direito de o indivíduo usufruir de um bem-estar pessoal deve estar presente em qualquer faixa etária. O idoso conquistando espaços sociais conscientiza a sociedade para o envelhecimento como continuação e consequência de um modo de vida anterior. No âmbito familiar, ele desempenha papel preponderante, sendo fundamentais ações que estreitem vínculos e almejem uma qualidade de vida para todos. (FREITAS, 2022)
29 de julho de 2022
Tatiana Elias de Pontes
Especialista em geriatria
REFERÊNCIAS:
ARAUJO, C.K. et al. Vínculos Familiares e Sociais nas Relações dos Idosos. Revista Jovens Pesquisadores, Santa Cruz do Sul, n. 1, p. 97-107, 2012.
Estratégia de Cooperação do País 2022-2027 (Brasil). Organização Pan-Americana da Saúde, 2022.
FREITAS, E. V. Tratado de geriatria e gerontologia / Elizabete Viana de Freitas, Ligia Py. 5. ed. Rio de Janeiro :Guanabara Koogan, 2022.
GIRONDA, M. & LUBBEN, J. Preventing loneliness and isolation in older adulthood. 2003. In: Envelhecimento ativo: uma política de saúde / World Health Organization; tradução Suzana Gontijo. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005.
LIVINGSTON, G. et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2020 report of the Lancet Commission. Vol 396 August 8, p. 413-446, 2020.
TRIADÓ, C; VILLAR, F. (Org.). Psicología de la vejez. Madrid: Alianza Editorial, 2007
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1 Especialista em Geriatria pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Mestrado Profissional em Tecnologias e Atenção à Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Coordenadora da equipe de Geriatria e do Programa de Residência Médica em Geriatria da Prevent Senior.
quinta-feira, 17 de agosto de 2023
sexta-feira, 11 de agosto de 2023
O FUTURO DOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS
INÍCIO
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O aumento da longevidade humana juntamente com o envelhecimento da população (aumento proporcional dos idosos) pode ser considerado o fenômeno mais importante a nível mundial da atualidade, com sérias implicações sociais, econômicas e de saúde. Países como Brasil vivenciam esse fenômeno desde meados do século passado, porém de forma muito mais acelerada do que os países mais desenvolvidos, que iniciaram esse processo há mais de um século.
O envelhecimento é um processo complexo e contraditório que nos acompanha a todos, sem exceção, ao longo de toda a vida. Trata-se de uma experiência multifacetada, plural, influenciada por fatores como gênero, estado civil, nível socioeconômico, condições de saúde, estilo de vida e outros. Para além de suas determinações cronológicas e biológicas, a velhice é uma construção sociocultural. Em uma sociedade voltada para a potência e consumo muitas vezes o processo de envelhecimento vem acompanhado por constrangimento e isolamento.
Os Residenciais Terapêuticos surgem nesse contexto, como uma alternativa que pretende promover a dignidade e a vida às pessoas que avançam em direção ao envelhecimento sendo consideradas socialmente como idosos.
Diferentemente do conceito antiquado de asilo ou casa de repouso, que guardam para si o estigma de serem lugares que funcionam menos para seus moradores e mais para seus familiares, que encontram nesses espaços um local para se alienar do familiar em questão. O Residencial Terapêutico surge como um lugar que se orienta essencialmente pelo bem-estar e felicidade de seus moradores.
Nesse sentido Residencial Terapêutico se destaca pelo seu atendimento personalizado, a busca pelo bem-estar dos moradores, o entendimento da vida como algo conjunto e a população que nele se abriga como uma comunidade. No contexto do Residencial Terapêutico, e mais especialmente à Mental Sênior, são propostas atividades como oficinas, terapias personalizadas, dinâmicas de grupo. O viver em conjunto é celebrado e estimulado ao mesmo tempo que as especificidades dos seus moradores também. O foco é essencialmente a promoção da dignidade e bem-estar daqueles que decidem por viver em comunidade.
Entre em contato por telefone ou WhatsApp e agende a sua visita agora mesmo.
O bem-estar da sua família é o nosso diferencial.
11de agosto de 2023
in mental senior
A IMPORTÂNCIA DE ATIVIDADES FÍSICAS PARA IDOSOS
O aumento da longevidade é uma tendência global, inclusive no Brasil. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no período de 2000 a 2015, a expectativa de vida aumentou em cerca de 5 anos, em todo o mundo. Com o envelhecimento da população, é cada vez mais necessário traçar estratégias que permitam que essas pessoas vivam a velhice de forma saudável e produtiva, com qualidade de vida. A prática de atividades físicas contribui muito para esse objetivo.
Atividades Físicas para Idosos
A atividade física é essencial para o bom funcionamento do corpo e da mente na terceira idade. Os exercícios físicos agem sobre o envelhecimento, prevenindo o atrofiamento precoce e, com isso, a limitação funcional. Promovem a manutenção do tônus muscular e reduzem a perda óssea. Melhoram a capacidade cardiorrespiratória e ajudam a regular os índices de glicemia, colesterol e triglicérides, prevenindo doenças como diabetes e hipertensão.
Segundo uma pesquisa britânica publicada em 2018, até as atividades leves e simples, como passear pela vizinhança, cuidar do jardim ou brincar ao ar livre com os netos, podem contribuir muito para a saúde dos idosos. Segundo os pesquisadores, algumas horas semanais de atividades físicas já são suficientes para diminuir o risco de morte.
Além de todos esses benefícios, a prática de atividade física melhora a autoestima e a disposição dos idosos. Estimula a memória e a coordenação motora e também se justifica pela promoção da socialização, por meio de grupos de atividades e lazer, levando até a estabilização de doenças neurológicas.
Nunca é tarde para começar a praticar exercícios, mas sempre após uma avaliação médica e com moderação, respeitando os limites e progredindo com cautela.
11 de agosto de 2023
in Mental senior
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