quinta-feira, 9 de novembro de 2023

LIVE: OS IDOSOS, O QUE PENSAM DA VELHICE E A SUA OCORRÊNCIA NAS CLASSES SOCIAIS

LIVE SOBRE O ENVELHECIMENTO E AS CLASSES SOCIAIS

INTRODUÇÃO
(Apresenta o essencial do conteúdo da proposta que será objeto do diálogo)

A idosidade é o grande desafio da sociedade pós-industrial, diante do evidente aumento da população de idosos no mundo.  
O Brasil, despreparado para atender ao crescimento desse contingente, pela precariedade de suas políticas públicas assistencialistas, embora o acesso à essas políticas, venha revertendo o quadro e apresentando melhorias, a partir da contrarreforma neoliberal do Estado, ainda há grandes lacunas a serem atendidas.
Esse idoso, sobre o qual se conhece muito pouco, é uma categoria construída social e culturalmente estereotipada, em que diversos atores falam por ele, focando a "velhice" como um processo negativo e linearmente homogêneo.  

Há que se observar que há duas dimensões no processo do envelhecer


Esse diálogo não pretende esgotar o assunto, mas provocar uma discussão, um novo olhar sobre a idosidade,  fora do modelo construído da "velhice", questionando alguns aspectos da "homogeneidade" e sua contraditória ocorrência nas diversas classes sociais, considerando-se que o Brasil é um país capitalista, com uma sociedade edificada sobre relações antagônicas de classes.
O princípio básico do Capital é: "o ser humano em tempos de capital, só interessa enquanto força de trabalho"

"Envelhecer no Brasil, não é uma experiência  única, porque depende do gênero, da raça e da classe social de cada pessoa."

DIÁLOGO SOBRE O ENVELHECIMENTO NO BRASIL, SUA HETEROGENEIDADE E CONSTRADIÇÕES  

01. Estatisticamente, como se representa no Brasil, essa categoria, denominada "Idosos"?
(abordar os avanços científicos e tecnológicos que ampliam a longevidade dentro de um processo natural do ciclo de vida).


02. Como é envelher nas classes sociais trabalhadoras?
(o processo do envelhecimento não é linear e homogêneo, mas profundamente desigual ao da classe burguesa, por se tratar de uma sociedade capitalista - caso brasileiro - com classes sociais antagônicas).
Considerado, hoje, o país com maior desigualdade social.

03. A dependência, no envelhecimento, da classe trabalhadora às  políticas  públicas e sociais  assistencialistas.
(faz-se necessária a existência de um conjunto de instituições sociais, de idéias e sociabilidades que lhes dêm significado e sustentação ideopolítica na estrutura social capitalista).

RESPOSTAS AOS QUESTIONAMENTOS

01. Segundo estimativas do IBGE, em 2019 o número de idosos no Brasil chegou a 32,9 milhões. Dados do Instituto, mostram que a tendência do envelhecimento da população vem se mantendo, e o número de pessoas com mais de 60 anos no país, já é supeior ao de crianças com até 9 anos de idade.
Segundo essa estimativa, a população brasileira deve crescer até 2047, quando atingirá 233,2 milhões de pessoas.
Nos anos seguintes esse número deve ir caindo gradualmentem, até chegar a 228,3 milhões em 2060.
Nesse cenário, a expectativa é que o número de pessoas com 65 anos, ou mais, praticamente triplique, chegando a 58,2 milhões em 2060, o equivalente a 25,5% da população.
Esse crescente envelhecimento, decorre do desenvolvimento de tecnologias de saúde, aliadas ao avanço das pesquisas médicas, promovendo a medicina a um novo patamar de conhecimentos, na segurança de diagnósticos.
A importância da longevidade, é que ela se dê com qualidade de vida, um processo que deve ser preventivo, uma vez que a velhice é o resultado inevitável de um ciclo biológico da vida.

Mas quem é esse idoso, e como pensa o envelhecimento?
Essa questão é que pretendemos responder, na medida do possível, sem pretensões de esgotar o tema, por considera-lo complexo. 
Embora seja evidente o crescimento da população idosa no Brasil, pouco se conhece sobre essa pessoa idosa. 
A Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, fez uma interessante pesquisa de campo, entrevistando idosos, e a partir dessas entrevistas, ouvimos a voz dos idosos, o que pensam e como enxergam o envelhecimento. 
Até o momento, o "olhar de fora" deu foco ao envelhecimento e a velhice, como um processo negativo e homogêneo, construindo-se assim, uma categoria social e culturalmente estereotipada, que se apresenta como um encargo para o Estado, e um incômodo para a família.
Não leva em consideração como o idoso pensa a velhice através de sua percepção do processo  de envelhecimento. 
E peca ainda por considerar o envelhecer, um estado homogêneo, desprezando as diversas experiências humanas, que  produzem a heterogeneidade na diversidade das classes sociais e dos sentimentos que constroem a existência.
Esse estereótipo negativo da velhice, não reflete o que pensa o idoso sobre o ato biológico de envelhecer.
Contudo, a Revista não define que classes sociais, responderam a entrevista. 
Discutir o trabalho realizado com as entrevistas da Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, que lança luz sobre como o idoso olha esse envelhecer, deixa a lacuna seguinte: que classes sociais responderam à pergunte?

Utilizando  uma abordagem metodológica quantitativa, a Revista buscou evidenciar as imagens e representações dos idosos, a respeito  do envelhecimento.
Os dados foram coletados por meio de entrevistas realizadas com dez idosos, de idade entre  60 e 85 anos (5 mulheres e 5 homens), orientadas pela seguinte pergunta:

"como você se vê no processo do envelhecimento?"

As informações permitiram apontar que diferentemente da visão pessimista e homogeneizadora do outro em torno da velhice, os idosos entrevistados vivenciam o processo do envelhecimento de formas diferentes, e relatam a velhice como uma forma de prazer.
Não se perceberam frustrações, conflitos e dramaticidade na forma de vivenciarem a velhice.
Também não foram identificados sentimentos de rejeição e/ou inferioridade, face as mudanças e perdas.

O que fica no ar, é: que classe social respondeu à entrevista, ou que classes sociais?

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02. O processo do envelhecimento não é linear e homogêneo, mas profundamente desigual ao da classe burguesa, por se tratar de uma sociedade capitalista - caso brasileiro - com classes sociais antagônicas
(E hoje, considerado o país de maior desigualdade social).
A heterogeneidade que assinala as diferenças no processo do envelhecimento da classe trabalhadora, com relação as classes burguesas, decorre das características do modelo concentrador de renda, uma vez que o processo de produção de bens e serviços, se organiza em torno do capital privado, onde uma classe social é dona dos meios de produção. 
É o modelo econômico do capitalismo, em torno do qual organizam-se as diversas classes sociais, dependentes desse "capital privado" e do seu investimento, motor que gera desenvolvimento e emprego.
Cabe ao Estado criar instituições que reduzam tais diferenças, oferecendo ao trabalhador melhor participação na riqueza nacional.
Na verdade, o envelhecimento do trabalhador está sujeito às instituições  sociais do Estado.
Nas democracias capitalistas, envelhecer desperta uma nova problemática.
O crescimento demográfico dos :idosos, está alterando a pirâmide etária. (O censo demográfico revalou uma informação alarmante para a organização econômica do país: o fim do bônus demográfico - período em que a população em idade ativa, cresce em um ritmo maior que a população total (que conta com a presença de crianças e idosos).
Os idosos já são muito mais numerosos do que outrora, e não se integram espontaneamente à sociedade. 
O Estado está obrigado a definir um novo estatuto a essa categoria emergente, e cabe somente ao Estado, a decisão, pois se coloca em nível governamental.
A velhice é objeto, hoje, de políticas de Estado.
Observa-se que a velhice da classe trabalhadora, tornou-se uma questão substancial na contemporaneidade, pois observa-se que os setores sociais populares,  tornaram-se subalterniazados pelas condições indefinidas do trabalho informal, o que cria a desproteção trabalhista, entre outros aspectos que agravam a desigualdade e a pobreza, do  que resultam preconceitos e abandono dos velhos a uma existência  sem significado.
As contradições  fundamentais da sociedade capitalista, revelam que somente interessa a produção capitalista a força de trabalho.
O envelheciento da classe trabalhadora, torna-se peculiar, por não representar o tempo da liberdade, do descanso e do lazer, como define a cultura capitalista.
É na velhice que as contradições e as desigualdades de classe ficam evidenciadas
A lógica capitalista explora ao máximo a capacidade produtiva do trabalhador, retirando dela a vitalidade, até a exaustão,  que invade todas as esferas da vida e do tempo social.
Quando o trabalhador perde o seu valor de uso para o capital, padece o abandono desumano, tornando-se inútil para o capital, e um peso morto para a reserva imdustrial de mão-de-obra.
Esse sistema produtor de mercadorias, desumaniza a força de trabalho, coisificando-a. 
Essa desvalorização do ser humano promovida pelo capital, é o nó górdio do acelerado processo de envelhecimento das sociedades modernas.
Ao criar um excedente de "inúteis" para o capital,  gera a pobreza crescente, e as desigualdades sociais, que agora exercem pressão para que o Estado responda às necessidades crescentes da massa de idosos trabalhadores, que vivem à margem da sociedade, dependentes de instituições assistencialistas.

03. O envelhecimento das classes  trabalhadoras é dependente das políticas públicas assistencialistas do Estado. 
Se tais políticas atendessem às necessidades inerentes ao envelhecer das classes trabalhadoras, praticando um modelo de melhor distribuição da renda nacional, estendendo a esse trabalhador serviços de qualidade que lograssem garantir uma longevidade saudável, alcançaríamos melhor qualidade de vida, de modo mais imparcial e justo, reduzindo as diferenças entre as diversas classes sociais.

Não fica muito clara a real condição do envelhecer nas classes trabalhadoras.
A pesquisa apresentada pela Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, não distingue as diferenças de classes, traçando um perfil amplo, com uma amostragem do que pensa o idoso, sem situa-lo em sua classe social.
Não é difícil, porém, perceber que se revela na pesquisa, a natureza humana, cuja essência e existência, é indiferente às práticas políticas.
O retrato resultante das entrevistas com os idosos, apesar da náo identificação de classe, descontroi o modelo habitual de enxergar a idosidade com o olhar do "coitadismo". 
Acredito que tal "olhar" decorra do etarismo, a medida que estabelece o "poder jovem" como a força ideal da atividade de produção, desprezando a experiência e o conhecimento acumulado ao longo da vida, pela pessoa idosa, e criando guetos, ao mesmo tempo que usa eufemismos despropositados e preconceituosos, como "terceira idade", ou "melhor idade". Eufemismos que disfarçam o etarismo.
Velho náo tem sentido pejorativo, não precisa seu uso ser temido e substituído por  eufemismos, como se fosse algo vergonhoso ser velho. 
Ser velho é uma conquista biológica! Que a vida conceda aos jovens o poder de envelhecer, de ser velho, de sentir o prazer do caminho percorrido e parte do processo social constuído!!

13 de novembro de 2023
prof. mario moura

DIVULGAÇÃO
Convidamos o público "SENIUM"  para a live do dia 22 de novembro (adiada), quando apresentaremos algumas reflexões sobre o crescente aumento da população de idosos, e o envelhecer nas diversas classes trabalhadoras.
Esse é o grande desafio da sociedade pós-industrial. Cabe ao Estado elaborar políticas públicas, que atendam às diversas categorias sociais emergentes, frutos das diversas  tecnologias de saúde e do avanço das ciências médicas nos campos da geriatria e da gerontologia.
















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