quinta-feira, 12 de setembro de 2024

SETEMBRO AMARELO, ASSINALA UM PROBLEMA EMERGENTE

SETEMBRO AMARELO ASSINALA UM PROBLEMA EMERGENTE

Dados do Ministério da Saúde, divulgados em 2018, apontam para a alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foi registrada a taxa média de 8,9 mortes por 100 mil nos últimos seis anos. A taxa média nacional é 5,5 por 100 mil. 

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam ainda que a população brasileira com 60 anos de idade ou mais cresceu 18,8% entre 2012 a 2017. 

A mudança no perfil epidemiológico do envelhecimento no Brasil está produzindo demandas que requerem respostas das políticas sociais e implicam em ações de enfrentamento dos problemas sociais e de saúde que afetam essa população.

A psicóloga Claudia Weyne Cruz, especialista em saúde da Escola de Saúde Pública (ESP/RS), e com doutorado sobre o tema “suicídio de idosos em municípios do Rio Grande do Sul, avalia que nesta fase da vida a pessoa acumula perdas próprias da idade. “Muitas vezes o desejo de antecipar o fim está associado também à perda de saúde, de autonomia e de papéis sociais”.

(Creio que tais eventos dramáticos, na vida dos idosos, podem ser generalizados.)

A psicóloga explica que o comportamento suicida é resultado da interação de diversos fatores e que por vezes os idosos manifestam a intenção suicida, de forma indireta, por meio de verbalizações: “estão todos bem e não precisam mais de mim”; “não quero incomodar ninguém, já vivi demais”; “meu último compromisso era ver meu filho encaminhado”, “estou cansado de viver”. 

A comunicação verbal pode estar acompanhada de mudanças repentinas de comportamento, como desinteresse por atividades antes consideradas prazerosas, descuido com a alimentação, medicamentos e aparência, desejo súbito de distribuir pertences, bens, patrimônio e herança.

Isso demonstra que os mais velhos são menos ambivalentes em relação a morte.

Claudia ressalta que as doenças incapacitantes, a dor física, as dificuldades de acesso à saúde, a falta de recursos financeiros, a solidão, o abandono e outras tantas violências praticadas contra os idosos, podem levá-los a desejar a própria morte.

Artigos  que tratam do problema do suicídio de idosos, um problema social de perdas de autonomia e de papéis sociais, entre outros fatores, mostra a negligência da sociedade com os idosos, da falta de políticas públicas de ações efetivas na abordagem do problema.

SETEMBRO AMARELO, tempo de prevenção do suicídio de  idosos, data próxima do DIA INTERNACIONAL DO IDOSO, buscam ambas despertar a importância da sociedade, de 'enxergar' os longevos. 

Não basta discutir "politicas de direitos humanos".  É preciso ações protetivas focadas no idoso.

prof. mario moura

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

PESQUISA SOBRE SUICIDIOS DE IDOSOS

 "Duas datas importantes no calendário, o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, e o Dia Internacional do Idoso, comemorado em 1º de outubro, oportunizam a reflexão sobre a situação do idoso na sociedade e o crescente índice de antecipação do fim da vida nessa população."

"Dados do Ministério da Saúde, divulgados em 2018, apontam para a alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foi registrada a taxa média de 8,9 mortes por 100 mil nos últimos seis anos. A taxa média nacional é 5,5 por 100 mil. 

"Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam ainda que a população brasileira com 60 anos de idade ou mais cresceu 18,8% entre 2012 a 2017. A mudança no perfil epidemiológico do envelhecimento no Brasil está produzindo demandas que requerem respostas das políticas sociais e implicam em ações de enfrentamento dos problemas sociais e de saúde que afetam essa população."

Os dois excertos retirados de um artigo de Ana Fumegalli








Taxa de suicídio entre idosos cresce e prevenção é o melhor caminho

 Taxa de suicídio entre idosos cresce e prevenção é o melhor caminho

Publicação: 

Foto do rosto de uma idosa cobrindo a face com as mãos
Profissionais de saúde devem estar atentos aos riscos de suicídio e adotar ações de proteção ao idoso - Foto: ACS

Duas datas importantes e consecutivas no calendário, o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, e o Dia Internacional do Idoso, comemorado em 1º de outubro, oportunizam a reflexão sobre a situação do idoso na sociedade e o crescente índice de antecipação do fim da vida nessa população.

Dados do Ministério da Saúde, divulgados em 2018, apontam para a alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foi registrada a taxa média de 8,9 mortes por 100 mil nos últimos seis anos. A taxa média nacional é 5,5 por 100 mil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam ainda que a população brasileira com 60 anos de idade ou mais cresceu 18,8% entre 2012 a 2017. A mudança no perfil epidemiológico do envelhecimento no Brasil está produzindo demandas que requerem respostas das políticas sociais e implicam em ações de enfrentamento dos problemas sociais e de saúde que afetam essa população.

A psicóloga Claudia Weyne Cruz, especialista em saúde da Escola de Saúde Pública (ESP/RS), e com doutorado sobre o tema “suicídio de idosos em municípios do Rio Grande do Sul”, avalia que nesta fase da vida a pessoa acumula perdas próprias da idade, entre elas, do cônjuge, do vínculo com o trabalho e de amigos. “Muitas vezes o desejo de antecipar o fim está associado também à perda de saúde, de autonomia e de papéis sociais”.

A especialista explica que o comportamento suicida é resultado da interação de diversos fatores e que por vezes os idosos manifestam a intenção suicida, de forma indireta, por meio de verbalizações: “estão todos bem e não precisam mais de mim”; “não quero incomodar ninguém, já vivi demais”; “meu último compromisso era ver meu filho encaminhado”, “estou cansado de viver”. A comunicação verbal pode estar acompanhada de mudanças repentinas de comportamento, como desinteresse por atividades antes consideradas prazerosas, descuido com a alimentação, medicamentos e aparência, desejo súbito de distribuir pertences, bens, patrimônio e herança.

“Esses sinais muitas vezes são uma forma de despedida silenciosa da vida e não devem ser negligenciados por familiares, amigos e profissionais de saúde”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que para cada suicídio consumado há cerca de vinte pessoas que o tentam. Entre idosos, a razão entre tentativas e suicídios efetivados chega a ser de aproximadamente dois para um. Isso demonstra que os mais velhos são menos ambivalentes em relação a morte, ou seja, tem menos dúvidas em relação à antecipação do fim. Claudia ressalta que as doenças incapacitantes, a dor física, as dificuldades de acesso à saúde, a falta de recursos financeiros, a solidão, o abandono e outras tantas violências praticadas contra os idosos podem levá-los a desejar a própria morte.

Cita ainda a importância de construir com o idoso o “plano terapêutico singular”, que considere a sua história de vida, lembrando que as responsabilidades pelo tratamento precisam ser compartilhadas entre usuários, familiares, profissionais e comunidade em geral.

“Nesse processo, é preciso ouvir o usuário, entender sua história e resgatar projetos que ficaram relegados, retomar atividades que, em algum momento, foram fonte de alegria e de prazer para esse idoso. Temos que ajudá-lo a construir um novo sentido, significado e direção para sua vida”.

Claudia argumenta que a sociedade necessita rever seus conceitos sobre o envelhecer. “Culturalmente, precisamos superar a visão que considera o idoso um estorvo e o relega ao isolamento social. É importante valorizar a sabedoria e a experiência das pessoas mais velhas, promovendo um envelhecimento ativo, digno, com reconhecimento social e familiar”, conclui.

Prevenção

Desde junho de 2011, as tentativas de suicídio se tornaram agravos de notificação compulsória e, desde 2014, de notificação imediata nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional. O que indica a necessidade de acionamento imediato da rede de atenção e proteção para a adoção de medidas adequadas a cada caso.

A sensibilização dos profissionais de saúde que atuam na rede de assistência é importante para ampliar e qualificar as notificações. 

Onde buscar ajuda para prevenir o suicídio?

Unidades Básicas de Saúde (Saúde da Família, Postos e Centros de Saúde).
UPA 24H, Samu 192, Pronto Socorro, Hospitais.
Centros de Apoio Psicossocial (Caps), uma iniciativa do SUS. De acordo com dados do Ministério da Saúde, onde existe esse serviço o risco de suicídio reduz em até 14%.
Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).

Fatores de risco para idosos

Transtorno mental – Depressão (não diagnosticado)
perda de pessoas significativas e referências sociais;
vivência de solidão, acompanhada de dificuldades materiais;
doenças crônicas e degenerativas (perda de autonomia);
receio de ser um estorvo para a família;
conflitos familiares e situações de violência, etc.

Fatores de proteção

Espiritualidade/fé;
conectividade social e participação na vida comunitária;
suporte emocional por parte de familiares;
acesso à saúde
acolhimento (escuta) nos serviços de saúde;
reconfiguração de projetos pessoais, etc.

Por Ana Fumegalli

Suicídio entre idosos

 

Suicídio entre idosos

Estes dados todos são muito mais do que simplesmente números. Indicam que existe a necessidade urgente de se tomar medidas práticas para atender estes idosos antes que eles se sintam tão pressionados, infelizes, solitários e depressivos que optam por tirar a própria vida.

De acordo com o médico geriatra Ulisses Cunha, a causa mais frequente deste ato desesperado é a depressão não diagnosticada, não tratada ou inadequadamente conduzida. Aproximadamente 70 por cento dos casos de suicídio nesta fase da vida podem ser atribuídos à depressão. As psicoses, demências e abuso de drogas como álcool também são apontadas como causas. Cunha esclarece ainda que em geral os idosos propensos a cometer um ato contra a própria vida dão pistas verbais ou de comportamento.

Existem, também, os suicidas passivo-crônicos, que são aqueles que cometem um suicídio lento, não claramente manifesto. Por exemplo: recusam alimentação, se negam a seguir prescrições médicas, deixam de tomar os remédios e, até mesmo, provocam quedas. O médico afirma que a forma mais eficaz de combater este mal é através do diagnóstico precoce da depressão e o tratamento da doença. E uma boa dose de carinho no tratamento com os idosos ajuda também muito, com certeza.

Fonte: Estúdio DC

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

SETEMBRO DA INDEPENDÊNCIA

São tempos difíceis! Tempos de grandes mudanças sociais, interagindo com inovações  tecnológicas, que ocasionam profundas alterações nos valores, nos comportamentos e costumes. 

Acontecimentos históricos que foram consagrados como símbolos constituintes da nossa nacionalidade, também ganham novos sentidos, novos significados que representam os contextos políticos atuais, de um Brasil que busca ressignificar seus símbolos nacionais nessa pós-modernidade, complexa e globalista.

Dentre esses acontecimentos que assinalaram os fundamentos da pátria, destaca-se o momento em que rompe laços de subordinação a Portugal, na data histórica de 7 de setembro de 1822

Essa é a história linear, abstrata em sua natureza, visto que nada diz do povo que habitava esse país, e quando o faz é de modo vago e impreciso, a não ser quando se refere a participação da elite agrária que apoiou a permanência de D.Pedro I como príncipe regente, assim salvaguardando os seus próprios interesses.

 Quem eram os "brasileiros" que habitavam o Brasil na época da indepêndencia?

O Brasil demográfico apresentava nessa época, o seguinte quadro: 

4,5 milhões de habitantes

800 mil indígenas

1 milhão de brancos

1,2 milhão de africanos escravizados e seus descendentes

1,5 milhão de grupos menores, decorrentes de miscigenação entre grupos anteriores. 

Nascia o Brasil, etnicamente diverso, e pouco povoado. Em 1889 eramos 14.333.915 de habitantes. Com a ida de Pedro I para Portugal, seu filho, Pedro II o sucedeu.

Nesse retrato relâmpago, alguns conceitos não faziam parte da realidade social brasileira. Éramos um país habitado por uma massa pouco definida socialmente. 

A formação do Brasil moderno está associada à passagem da sociedade escravista e colonial para uma sociedade urbana de classes.

A data de 1920 é apontada como a origem do Brasil moderno, que se inicia na Era Vargas, marcada pela imigração do campo para  cidade e pela industrialização do país. 

Agora, podemos nos referir a questão do etarismo, por ser um dado recente e atual, e que está mobilizando a sociedade.

Cabe observar que tal conceito nasce da Revolução Industrial, que apenas se interessava em contratar jovens e jovens adultos, considerando imprestáveis pessoas com idade de 40/50 anos, por considera-las incapazes para as metas de produtividade, em que se exigiam excessivas  cargas horárias de trabalho.

Quando comemoramos esse setembro, como um 'símbolo da libertação', parece-me justo também, associa-lo à libertação social dos maduros, abrindo-lhes o direito de exercer sua cidadania ativa, de participação no trabalho, de colaboração à sociedade em que vive, de acesso à saúde, de exigir seus direitos de cidadão, de acesso à dignidade.

Hoje, na pós-modernidade, diversos movimentos sociais se mobilizam na discussão política de integrar esses maduros, ao pleno direito de ocupar espaços nas múltiplas atividades, sensibilizando as empresas mais 'antenadas' que reconhecem o valor desse patrimônio, que os maduros carregam.

prof. mario moura