RESUMO DA INTROCUÇÃO AO CURSO INICIAÇÃO À ESCRITA CRIATIVA E RECREATIVA
Vamos tentar entender, primeiramente, o que significa o ato de escrever. Por que ele simboliza um ato de libertação?
A primeira grande revolução cognitiva, que nos permitiu decodificar a realidade, nomeando-a, foi a criação da linguagem, que nasce com os primeiros sinais fonológicos, à custo balbuciados. Havíamos criado a linguagem...
Essa, penso eu, foi a maior e mais importante revolução da história da espécie humana!
Nesse momento, nosso olhar transformou a realidade, e iniciamos nosso distanciamento do mundo natural, criando o nosso mundo cultural.
Começávamos a nossa jornada inteligente no planeta,,, E para contar essa história, precisávamos da linguagem, precisávamos da palavra! E para registrar os acontecimentos e fatos mais importantes, começamos com as pequenas tábuas de argila, e daí para outros materiais, até os papiros, até chegarmos ao papel, como o conhecemos hoje. Com o tempo, criamos o livro... É um objeto decorrente da linguagem, que deixa o estágio dos registros orais e passa para os registros escritos, físicos.
E agora, voltemos ao nosso ponto inicial: por que escrever é um ato de libertação?
O campo semântico da palavra "libertação" é amplo, e passeia pelos quatro campos da nossa natureza: o físico, o racional, o psicológico e o emocional . Deixemos o físico e o racional, e fiquemos com psicológico e o emocional, os pilares da construção da arte literária.
Traduzindo em miúdos, esses dois campos simbolizam a unidade: o que somos (a nossa subjetividade) e o que sentimos. Uma unidade indissolúvel, reveladora de um ser complexo, construtor de "civilizações", mas ainda confuso e sem respostas para algumas questões fundamentais do significado da sua existência, da sua origem e do que está fazendo por aqui.
A apropriação da linguagem, nos leva a dar um sentido mais profundo ao seu uso, quando passamos a registrar nossos estados psicológicos e emocionais, que nos levam a criar a ficção, os estados confessionais e os conflitos psicológicos, bem como registrar nossas primeiras observações científicas sobre a natureza e a manifestação das suas leis.
Nesse nomento, criávamos a literatura em sentido amplo, conferindo à linguagem o elevado nível de articulação e criatividade. A linguagem deixava de ser um ato meramente funcional e instrumental, transformando-se em palavra-arte.
É a arte da palavra, que nos interessa, e é a partir dela, que iremos tentar compreender a importância de saber articula-la, para transforma-la no ato de criar, de inventar e libertar o nundo oculto de nossa subjetividade, seja na percepção do mundo que nos cerca, seja na revelação de cenas que habitam o nosso mundo imaginário.
Passo a passo, iremos desvendar o fantástico e extraordinario universo da linguagem, que está adormecido em nossa sensibilidade e inteligência.
Através de pequenos e rotineiros exercícios, conquistaremos a nossa competência de perceber o mundo à nossa volta, exercitando um novo olhar sobre o que nos cerca, e cuja realidade passa despercebida à nossa percepção.
Quando despertamos para uma nova compreensão da linguagem, e a vemos mover-se em outra dimensão, menos funcional e mais sensível e inteligente, nos damos conta de que podemos construir um mundo novo, ativando a nossa imaginação e libertando nossa condição e capacidade de exercitar a criatividade.
Agora você já sabe o valor da linguagem, fora do mundo cotidiano, do papo coloquial, de mero instrumento de comunicação, e o que podemos fazer esteticamente com a palavra, o que podemos criar, inicialmente, apenas observando a realidade do nosso cotidiano, e dando-lhe vida sob a forma descritiva de linguagem.
Todo o nosso sistema linguageiro opera com o nosso universo vocabular, daí decorre a importâmcia fundamental de nos apropriarmos de um amplo vocabulário, que nos habilite a descrever uma cena, ou um objeto com palavras que não estejam desgastadas pelo uso cotidiano, e cujo sentido fica empobrecido, sem originalidade.
Não significa que somente podemos construir um texto de modo erudito.
O modo prático de se ampliar o vocabulário, é através da leitura, seja dos bons clássicos, ou de escritores e cronistas modernos.
A Crõnica é um bom gênero, para desenvolvermos o hábito da leitura, não como lazer, apenas, mas como o exercício da observação dos seus elementos e da forma como o autor recria a realidade observada.
A literatura brasileira tem em seu acervo, excelentes cronistas, que além de registrarem fatos e acontecimentos interessantes, apresentam também um excelente campo para inovarmos o modo de descrição de realidades tão próximas de nós, e que muitas vezes não são percebidas. E claro, poderemos observar a riqueza do vocabulário, e nos apropriarmos de novas palavras que formos encontrando na leitura, anotando-as e pesquisando seu sentido mais amplo, num bom dicionário.
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