terça-feira, 18 de junho de 2024

AGAMIA

 ARTIGO PARA UM DEDO DE PROSA

AGAMIA

Com alguma frequência, encontramos artigos de psicólogos, antropólogos, sociólogos e pesquisadores das novidades que envolvem a geração que já está presente, quase sempre olhada com desconfiança, pois ela chega quebrando tradições e traz seus novos modos de viver, costumes que mexem em "contratos sociais", como por exemplo. a instituição do casamento.

Passando os olhos nas notícias, deparei-me com o termo "agamia". Curioso, resolvi aprofundar um pouco mais, mergulhando além da banalidade e da 'normalização' que a notícia, de alguma forma procurava dar um tom informal, como se se tratasse de apenas mais uma "novidade da garotada", sem maiores consequências

E o que vem a ser propriamente essa tal de 'agamia'?

Esse termo vem do grego: 'a' (não ou sem), e 'gamos'(união íntima ou casamento), e tem como fundamento a falta de interesse de uma pessoa, em firmar um relacionamento romântico, o que mostra a intenção de os casais não desejarem filhos.

Uma nova forma de relacionamento que vem crescendo.

O diferencial nesse novo modelo, é negar tudo que seja "tradicional": noivado, casamento, filhos, a tradição da familia, e por aí a fora.

Agamia traduz a negação da união íntima ou casamento, que resume esse novo tipo de comportamento.

Em entrevista ao Jornal da USP, a professora Heloisa Buarque de Almeida, pesquisadora do NUMAS (Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença), disse que as novas gerações estão buscando novos modos de relacionamento, que não envolvam compromissos legais.

Essa nova geração, que tem sido chamada de "nem, nem" (nem estuda, nem trabalha), pouco se importa com o descaso, e demonstra que não quer seguir os "padrões tradicionais", e diante das grandes mudanças que estão em curso, opta por definir seu próprio caminho. 

E não penso que seja um confronto, um modo sutil de descontruir "comportamentos antigos", mas uma espécie de intuição, de percepção de que os tempos estão mudando, e há uma exaustão nos modelos tradicionais, um 'esgarçamento' no contrato social da monogamia do casamento.

Assim, o 'modelo' agâmico chega silenciosamente, e como tudo que inova, que contraria o padrão, que desmonta o costumeiro, gera um certo desconforto nos que não percebem os novos ventos que sopram, e nem sempre na mesma direção que as "tradições" cristalizadas nos "bons costumes" gostariam...

Enfim, a vida segue e impõe mudanças, quando a vitalidade de um ciclo se esgota e a renovação é inevitável e diversa, restando compreender que o futuro sempre será uma imposição do tempo, aceitemos ou não!

13 de julho de 2024

Prof. Mario Moura





Nenhum comentário:

Postar um comentário