ANALISANDO UMA CENA CÔMICA DO NOSSO COTIDIANO
Interessante observar que há três cenários nessa paródia, que procura satirizar uma realidade: o atendimento ao público, a idosa que busca ser atendida, e a surpresa de alguém que interfere na cena.
Vamos esticar o olhar, e analisar com mais atenção, o que o quadro pretende nos contar...
O centro do episódio, é a impaciência, ou a intolerância, que poderíamos olhar como um ato preconceituoso, ou etarismo, ou a desqualificação dos atendimentos ao público de um modo geral.
Imediatamente nos ocorre a falta de preparo da funcionária, para lidar com as pessoas, e observamos que as empresas deveriam analisar os perfis adequados para essa função, treinando-os para o exercício do posto.
Lidar com o público é tarefa que exige, além de bom senso, certa sensibilidade, para interagir com pessoas.
Essa situação é traduzida através do sarcasmo de uma realidade do nosso cotidiano, um retrato que se desenha entre o cômico e o satírico.
A intenção, ao optar pela sátira, é evidenciar um certo desprezo, ou descaso, que o ritmo da vida “moderna” impõe as relações humanas.
O Direito da idosa, que por várias razões deveria ser observado e respeitado, cria um certo “stress”, e a cena ganha ares de uma “comicidade dramática”: de uma lado: uma funcionária estressada, e do outro lado do balcão, uma idosa que, obviamente, não pode entender que o seu ‘direito’ a uma passagem gratuita, deve ser paga e adiada para o ano que vem.
Esse é o chiste que se soma a impaciência da funcionária e a incompreensão da idosa, que além do mais é considerada surda, por não entender as razões que lhe são dadas.
Inesperadamente, surge a intervenção de alguém, que na fila do atendimento, interfere a favor da idosa. E um terceiro cenário se desenha.
A cômica situação da arrogância, convertida em “puxaquismo”, quando, desconsiderada a intervenção, como uma intromissão, se descobre que o reclamante do comportamento da funcionária com a idosa, é o dono da empresa!
E a irônica transformação do cenário, desnuda o Poder, como forma de transformar a realidade!
O humor é uma navalha, quando pretende desconstruir a realidade. Ele a fatia, a recorta, a desmonta, com o riso, apontando o ridículo, quando a realidade excede o tal “bom senso”, e as relações fáticas se desequilibram.
A intenção do quadro é exibir as dificuldades que muitas vezes ocorrem nos atendimentos ao público. Não perde, porém, o sarcasmo de exibir a questão do Poder, numa sociedade, cujas regras não se baseiam no respeito e na cordialidade ao semelhante, mas na hierarquia do Mando e do Poder.
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