sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

ANALISANDO UMA CENA CÔMICA DO NOSSO COTIDIANO

 ANALISANDO UMA CENA CÔMICA DO NOSSO COTIDIANO 

Interessante observar que há três cenários nessa paródia, que procura satirizar uma realidade: o atendimento ao público, a idosa que busca ser atendida, e a surpresa de alguém que interfere na cena. 

Vamos esticar o olhar, e analisar com mais atenção, o que o quadro pretende nos contar... 

O centro do episódio, é a impaciência, ou a intolerância, que poderíamos olhar como um ato preconceituoso, ou etarismo, ou a desqualificação dos atendimentos ao público de um modo geral. 

Imediatamente nos ocorre a falta de preparo da funcionária, para lidar com as pessoas, e observamos que as empresas deveriam analisar os perfis adequados para essa função, treinando-os para o exercício do posto. 

Lidar com o público é tarefa que exige, além de bom senso, certa sensibilidade, para interagir com pessoas. 

Essa situação é traduzida através do sarcasmo de uma realidade do nosso cotidiano, um retrato que se desenha entre o cômico e o satírico. 

A intenção, ao optar pela sátira, é evidenciar um certo desprezo, ou descaso, que o ritmo da vida “moderna” impõe as relações humanas.  

O Direito da idosa, que por várias razões deveria ser observado e respeitado, cria um certo “stress”, e a cena ganha ares de uma “comicidade dramática”: de uma lado: uma funcionária estressada, e do outro lado do balcão, uma idosa que, obviamente, não pode entender que o seu ‘direito’ a uma passagem gratuita, deve ser paga e adiada para o ano que vem.  

Esse é o chiste que se soma a impaciência da funcionária e a incompreensão da idosa, que além do mais é considerada surda, por não entender as razões que lhe são dadas. 

Inesperadamente, surge a intervenção de alguém, que na fila do atendimento, interfere a favor da idosa. E um terceiro cenário se desenha.  

A cômica situação da arrogância, convertida em “puxaquismo”, quando, desconsiderada a intervenção, como uma intromissão, se descobre que o reclamante do comportamento da funcionária com a idosa, é o dono da empresa!  

E a irônica transformação do cenário, desnuda o Poder, como forma de transformar a realidade! 

O humor é uma navalha, quando pretende desconstruir a realidade. Ele a fatia, a recorta, a desmonta, com o riso, apontando o ridículo, quando a realidade excede o tal “bom senso”, e as relações fáticas se desequilibram. 

A intenção do quadro é exibir as dificuldades que muitas vezes ocorrem nos atendimentos ao público. Não perde, porém, o sarcasmo de exibir a questão do Poder, numa sociedade, cujas regras não se baseiam no respeito e na cordialidade ao semelhante, mas na hierarquia do Mando e do Poder. 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

A SAÚDE EMOCIONAL

Segundo Aristóteles, o ser humano é um animal racional, ou seja, um ser capaz de raciocínio

Mas o que significa “raciocinar”?

Seu campo de significados  indica dar razão, justificar,  argumentar.  

Apesar do grande gênio que foi Aristóteles, arrisco-me a discordar humildemente, dessa definição antropológica, pois, 0bservando o universo humano das minhas relações, puro pragmatismo, ainda não conheci alguém com a característica  predominante da racionalidade. Seria talvez, algo patológico, considerando o momento em que vivemos.

Fique claro, desde já, que não nego a racionalidade do ser humano, apenas a vejo, como um forte indício no campo de aplicações da matemática, da geometria, da física, da astrofísica, e de outras áreas científicas, em que o raciocínio tem a maior presença operante.

Não estou afirmando que o ser humano não seja racional, apenas não considero ser esse o traço predominante da espécie. 

Aliás, deve-se a essa racionalidade, as grandes obras de tantas civilizações que já passaram por esse planeta. 

O próprio campo semântico da palavra raciocinar, com seus semi sinônimos, já que não há sinônimos perfeitos, apontam para uma dissonância de linearidade de significados.

Abre um horizonte discordante, segundo experiências vividas por cada ser humano. Argumentar ou divergir, segundo percepçoes diferentes da mesma realidade, aponta para uma condição inerente a cada  observador, segundo sua emoção. E aqui pontuo meu olhar sobre o que considero a característica dominante: a emoção..

Antropologicamente, diria que o ser humano é um animal emocional, com a competência secundária do raciocínio.

Nessa virada de página da civilização, quando novas tecnologias estão quebrando os paradigmas e transformando o "habitat psicológico" humano, desestabilizando o "modus vivendi", mais do que nunca, precisamos ser o gestor de nossas emoções.

Na gestão das emoções, está a saúde emocional e, consequentemente, a saúde mental.

Augusto Cury, psiquiatra renomado, tem alertado para essa inundação de informações, de um mundo irreal, de falsas sociabilidades, de "milhões de amigos", de fantasiosos sucessos, que sufocam e criam estados ilusórios de felicidade. Costumo chamar de "felicidade facebook".

Essa "intoxicação digital", o grande mal do século, é responsável pela era dos "mendigos emocionais", responsável pelos muitos "cárceres mentais".

Para gerir as emoções, é preciso estar alerta, estar consciente das transformações que estão alterando as nossas relações  com a vida, com a existência, com o propósito de estarmos aqui,  danificando a nossa saúde emocional.

Há todo um processo midiático organizado, que nos entope com ilusões programadas, fazendo-nos olhar para o outro lado, para o lado vazio de sentido, mas sedutor do consumo, para os prazeres imediatos e alienantes, cegando-nos para a percepção política de um sistema injusto, de alta concentração de renda, que cria arquipélagos de pobreza, analfabetismo e miséria.

Hora de acordar! Hora de sair do perverso sistema que manipula  nossas emoções! 

Estejamos conscientes e despertos. Os caminhos de retornar ao sentido verdadeiro da vida, estão ao alcance de quem procura, uma vez que tenha acordado. 

"Os gestores da emoção são capazes até de dar risadas de seus erros suportáveis, viver uma vida mais leve, bem-humorada, nunca exigindo de si o que não podem dar, nem comparando seu corpo, seu raciocínio e seu sucesso com os dos outros. Namoram a vida, pois descobrem que são únicos e irrepetíveis." (A.Cury)

Encontramo-nos na meditação,  com a nossa essência, o nosso 'locus' subjetivo, onde residem as nossas emoções.  

Ao apropriarmo-nos delas, começamos a geri-las, e iniciamos o caminho de volta ao nosso interior, ao nosso eu verdadeiro, desmistificado das ilusões, que a intoxicação do consumo nos arrebata. 

Alcançaremos, assim, a saúde emocional e o domínio da nossa vida.

prof. mario moura

07 de fevereiro de 2024